Roberta Stella | Nutrição sem dieta


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Quebrando as regras da dieta

As dietas são baseadas em várias regras, ditando o que comer e quando comer. Entretanto, por serem regras rígidas facilmente são quebradas e isso traz alguns sentimentos como desânimo, frustração e sensação de que nada funciona nas tentativas de emagrecimento. Nesse momento, percebe-se a necessidade de aumentar o autoconhecimento para buscar a melhor alimentação que atenda as necessidades não somente nutricionais mas, também, as preferências e os prazeres que os alimentos proporcionam.

Transcrição do áudio

Flávia (psicóloga): Olá, pessoal! Sejam bem-vindos ao canal! Hoje, a gente vai conversar um pouquinho sobre regras, né? Principalmente, na área de Nutrição, quando a gente pensa em emagrecimento mas, também, quando a gente pensa em melhorar a qualidade de vida, a coisa que a gente mais vê, por aí, são regras do que a gente “tem que” e do que a gente “não pode” fazer. E a gente vê muito isso no dia-a-dia, as pessoas extremamente angustiadas, buscando nos profissionais essa orientação que deixa de ser só, né, Roberta, uma orientação mais ampla, e passa, né, as pessoas tendem a buscar limites, eu vejo, né. Se a pessoa não dá pra ela, exatamente, o caminho de como ela tem que seguir, essa pessoa acaba ficando muito angustiada. Eu queria saber, Roberta, o que você acha disso? O que isso acaba trazendo pra, pro desenvolvimento de uma, de uma outra forma de se alimentar?

Roberta (nutricionista): É, eu acho que, primeiro, é interessante a pessoa ter uma orientação, né, e como adaptar essa orientação pro que ela vivencia, as… a rotina dela, como ela quer se alimentar melhor, né? Então, eu vou dar um exemplo, aqui, que, talvez, fique mais claro, né? Que é, por exemplo, comer de 3 em 3 horas. A gente sabe, hoje, que essa regra caiu, não é necessário mais comer de 3 em 3 horas.

Flávia (psicóloga): Ou não tem mais aquele, né, ou aquele ganho metabólico que a gente achava.

Roberta (nutricionista): Exatamente.

Flávia (psicóloga): De comer de 3 em 3 horas.

Roberta (nutricionista): Exatamente, exatamente. Mas, por exemplo, talvez seja interessante, fazer mais do que as 3 refeições principais, até pra, uma forma de prevenir um excesso alimentar em alguma refeição, ok?

Flávia (psicóloga): Tá.

Roberta (nutricionista): E, aí, é importante a pessoa perceber, ela olhar pra ela, ter a percepção da fome que, inicialmente, a fome tem que reger, né, a gente já falou aqui sobre isso, o momento da gente começar a comer, na maioria das vezes, no nosso dia-a-dia, e estabelecer os horários pras refeições. Então, não é necessário (comer) de, 3 em 3 horas, mas seria interessante, talvez, colocar mais de 3 refeições principais, até pra prevenir um excesso alimentar me algum momento do dia, né. Então, acho que, é, ter essa, eu acho muito importante, as pessoas terem essa orientação. Mas, ao mesmo tempo, cada pessoa é uma pessoa. Cada pessoa tem uma rotina, cada pessoa tem uma relação com os alimentos, os alimentos têm significados, né, então, eu acho importante a pessoa perceber qual será a alimentação melhor pra ela, né? E eu sempre gosto de fazer uma analogia que, normalmente, as regras é uma caixinha que a gente vai entrar dentro da caixinha. E, na alimentação, é a alimentação que tem que se adaptar a como eu vivencio, os significados dos alimentos na minha vida, né? Outro exemplo, talvez, que eu possa dar, é a regra do “pode” ou “não pode”, né?

Flávia (psicóloga): De alimentos proibidos e permitidos. Saudáveis ou não saudáveis!

Roberta (nutricionista): De alimentos proibidos e permitidos. Saudáveis ou não saudáveis.

Flávia (psicóloga): O pessoal fala, hoje, eu ouvi!

Roberta (nutricionista): Exatamente! Então, assim, se o bolo não é saudável, mas o bolo, pra mim, tem um significado e é importante tá na minha rotina, quando eu estou, tem uma regra que não pode o bolo, isso vai me trazer uma frustração, né, isso vai ter uma consequência pra mim. Então, eu posso comer o bolo, mas em que momento eu vou encaixar esse bolo na minha alimentação.

Flávia (psicóloga): E dependendo do que eu quero.

Roberta (nutricionista): Exatamente.

Flávia (psicóloga): Na vida, se eu quero emagrecer, talvez, eu tenha que comer uma quantidade menor.

Roberta (nutricionista): Uma quantidade menor, uma frequência menor, né?

Flávia (psicóloga): Mas nada é proibido.

Roberta (nutricionista): É. E, aí, Flávia, eu jogo, também, pra você, né! Por que as pessoas buscam tanta rigidez, né? Ter esse caminho, né, que parece um canal, todo mundo entra e vai andando.

Flávia (psicóloga): Eu acho que ainda vai gerando mais insegurança, porque, hoje em dia, ainda mais na área da alimentação, toda hora sai alguma coisa diferente.

Roberta (nutricionista): Ah, é verdade

Flávia (psicóloga): Uma coisa nova, regras novas. Acho que isso deve gerar uma insegurança muito grande.

Roberta (nutricionista): Uma confusão.

Flávia (psicóloga): Uma confusão! Chega uma hora que a gente não sabe mais o que segue. É, eu acho que o que acontece, Rô, é que a gente tem pouco treino, é, de olhar pra dentro e buscar o nosso próprio caminho. Né, então isso, a gente tá muito acostumado a, desde pequenininho, né, de seguir caminhos vindos de fora. Então, a gente, é, eu brinco, muitas vezes, que a gente virou a sociedade dos manuais: então, a gente tem o manual pra criar filho, manual pra usar redes sociais, manual pra se vestir, manual pra ter o corpo x. E aí, a gente, né, manual pra ter sucesso na profissão. Então, a gente tá sempre lendo alguma coisa a respeito de como a gente deve agir pra alcançar um determinado objetivo. Só que quando a gente faz isso, o que a gente não percebe é que a gente tá tentando encaixar regras que serviram pra outras pessoas.

Roberta (nutricionista): Muito bacana isso (esse pontos de vista).

Flávia (psicóloga): Na nossa vida, né. E, às vezes, não é que as regras são ruins, mas elas serviram, sei lá, pra um tipo de personalidade específico, pr’aquela pessoa que bolou aquele livro, aquela palestra, sei lá, e deu certo, né. E acho que é até por isso que existem tantas dietas. Acho que tem pessoas que se adaptam super bem, sei lá, a uma dieta sem carboidratos, tem pessoas que se adaptam à sem gorduras. Depende de quem a gente é e de como a gente vive a nossa vida. Então, a gente tem pouco treino nesse exercício de olhar pra dentro e saber quem a gente é, o que cabe, né, na nossa vida. Quais são os limites porque a gente aguenta, do que a gente quer passar, como a gente quer viver. E, aí, essa falta de autoconhecimento é que faz com que a gente, desesperadamente, busque regras do lado de fora.

Roberta (nutricionista): Uma coisa que vem até à minha cabeça, Flávia, é, qual é o custo da pessoa de abrir mão da regra, né? Porque é, às vezes, pode ser muito doloroso, né, o autoconhecimento, né. Não sei se eu tô…

Flávia (psicóloga): Você está falando… Acho que ela pode ficar um tanto angustiada, né?

Roberta (nutricionista): Exatamente.

Flávia (psicóloga): Dá, dá uma sensação de insegurança. Quando você fala pra pessoa, por exemplo, então, aprende a comer quando você tem fome, muita gente fica desesperada quando ouve. “Como assim? Eu nem sei o que é fome! Vou sair comendo tudo! Vou explodir!”. E não, eu acho que dá uma, acho que a pessoa, normalmente, tem um certo medo, né, que nem a gente, né, você vê uma criancinha aprendendo a andar a gente tem que ir amparando aquela criança até uma hora que ela vai conseguir dar os passos sozinha, vai cair, vai errar. Eu acho que quando a gente é, quer começar a viver de acordo com o que é bom pra gente, a gente tem que se permitir, errar, fazer coisas que não vão dar certo porque isso é que vai fazer a gente entender qual é o nosso caminho, olhar pro passado, mas eu acho que a gente tem que ir vencendo mesmo essa insegurança porque, senão, a gente fica pulando, né, de galho em galho e dificilmente a gente vai encontrar alguma coisa que se encaixa exatamente na nossa vida.

Roberta (nutricionista): É, então eu acho que pra quem aí já fez várias dietas e tá, muitas vezes, frustrado mesmo, com aquela sensação de que nada funciona, né, fazer, talvez, uma reflexão, né, já olhou tanto pra fora, tanto pra essas dietas, às vezes, sabe de cor todas as dietas, pra começar a olhar pra dentro e falar como eu posso ser melhor, né, ajudar a minha alimentação a se encaixar dentro do que eu sou, né. Apesar que, né, o alimento é uma questão de identidade mesmo, né. Então é isso, pessoal.

Flávia (psicóloga): Ter coragem de experimentar, né, Rô?

Roberta (nutricionista): Muita coragem, né! Não é tão fácil assim, mas é completamente possível!

Flávia (psicóloga): Acho que vale até, né, antes de a gente terminar, falar sobre o que a gente estava conversando um pouquinho antes da gente começar a gravar, a diferença entre o que é uma regra e o que é uma orientação, né, Rô?

Roberta (nutricionista): Exatamente.

Flávia (psicóloga): Eu? (risos)

Roberta (nutricionista): É! Pode falar. (risos)

Flávia (psicóloga): Então, a gente estava aqui conversando, justamente, que orientar é você dar, mais ou menos, uma direção, mas o caminho exato que a pessoa vai percorrer é ela, né, quem vai trilhar. A regra te dá pouco espaço, né, pra experimentar um caminho diferente.

Roberta (nutricionista): É, eu acho que aí se encaixa bem o (comer) de 3 em 3 horas. Tem pessoas que vão se adaptar (em comer) de 3 em e horas, ok, mas outras pessoas, não, né. Às vezes, de manhã tem que comer, né, depois de uma hora e meia do café da manhã, mas, à tarde, depois de quatro horas do almoço, né. É isso aí, pessoal.

Flávia (psicóloga): Ok, então. A gente queria agradecer aqui a presença de vocês no vídeo, espero que vocês tenham gostado. Deixem suas dúvidas, os seus comentários.

Roberta (nutricionista): É se inscrevam no canal!

Flávia (psicóloga): Ok, pessoal. Até o próximo vídeo.

Roberta (nutricionista): Tchau, pessoal!