Roberta Stella | Nutrição sem dieta


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“Se é bom e gostoso, que mal tem?”

alimentos_superpoderesDetox, comida de verdade, receita fit, receita funcional, sem gluten, sem lactose, sem açúcar, sem conservantes, sem soja, sem leite. Ao comentar uma matéria e fazer algumas observações sobre esses tipos de alimento, deparei com a pergunta/reflexão: “se é bom e gostoso, que mal tem?”. Essa argumentação é muito simplista porque, apesar de concordar que a maioria desses alimentos não trazem prejuízo à saúde já que um alimento por si só não pode ser responsável por desenvolver uma doença ou, ainda, apesar de eu concordar que muitos deles são cheios de nutrientes importantes para a corpo – essas chamadas, comunicação, propaganda sem o respaldo da ciência, ou seja, sem o que chamamos de evidência científica (e abro parênteses para dizer que mostrar um artigo científico não significa que haja uma evidência científica suficientemente forte para relacionar os benefícios desses alimentos) podem levar a várias consequências:

1. Mudam a percepção de um alimento. Por exemplo: leite é um alimento típico de brasileiro, presente no café da manhã. Quem duvidar, basta ler o Guia Alimentar da População Brasileira. Sabemos que o leite é uma excelente fonte de cálcio e que a população brasileira já apresenta uma elevada prevalência de inadequação no consumo desse mineral. Passar a mensagem que alimentos e/ou receitas sem lactose são saudáveis (ou vice-versa) para uma população saudável beira a irresponsabilidade;

2. Relação com crenças, valores e desenvolvimento de mitos alimentares. Veículos de comunicação têm grande influência para mudar opiniões, construir crenças, valores e mitos relacionados aos alimentos;

3. Relação emocional com os alimentos. Condenar um nutriente ou alimento como o responsável pela má alimentação, estimular a restrição de nutriente ou alimento, propagar ideias e conceitos sem consenso leva à relação de culpa com os alimentos, à fissura alimentar e à transtornos alimentares;

4. Propaganda enganosa. Vender produtos e serviços que têm como apelo conceitos não embasados em evidências científicas é enganação, mentira e propaganda enganosa. Vale lembrar que nem tudo nessa vida tem evidência científica. Nesse caso, ficar atento ao conceito que está sendo vendido;

5. Acreditar que alimentos caros são melhores ou “mais saudáveis”. Todos clamam por mais “alimento de verdade” no dia a dia mas, tem muita gente (profissionais de saúde, blogueiras, empresas) vendendo alimentos industrializados e/ou com baixo valor nutricional e/ou caríssimos como sinônimo de saudável, além de comunicarem substituições de alimentos que podem ser inatingíveis para a maioria dos consumidores.

No meu pensar, muitos males têm ao se comunicar a alimentação de maneira distorcida, errada, com falta de embasamento, distorcendo conceitos. Todos que comunicam (e não precisam ser jornalistas para isso!), seja por meio de um rótulo de alimento ou usando a mídia (redes sociais, tv, rádio, revistas, jornais) precisam chamar para si a responsabilidade de educar (afinal, comunicar saúde é isso!) não abrindo mão da qualidade da informação. Se a comunicação é feita pela metade, a recepção da mensagem será distorcida.


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Salada de macarrão com frango

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Foto: Roberta Stella

Salada de Macarrão com Frango

Rendimento: 4 porções

Ingredientes
– 200 g de peito de frango
– sal a gosto
– 1 colher (sopa) cheia de pimentão vermelho bem picado
– 1 colher (sopa) cheia de cenoura bem picada
– 2 colheres (sopa) cheias de abobrinha bem picada
– 1 talo de alho-poró cortado em rodelas finas
– 250 g de macarrão parafuso de milho
– 2 colheres (chá) de azeite
– ciboulette ou cebolinha francesa bem picada a gosto
– pimenta preta moída a gosto

Modo de Preparo
Em uma panela, Continuar lendo


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Wrap de folha de arroz

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Foto: Roberta Stella

Olá!

Acho super válido tentarmos novos alimentos, principalmente, se um ingrediente incentiva para que toda a receita culmine em um alimento saudável. O que adianta usar um pão 100% integral se o recheio virá com muita maionese, chatchup, carnes gordas ou embutidos? Nada, não é mesmo?

A folha de arroz traz esse desejo de ser mais saudável. Como ela não faz parte da cultura alimentar do brasileiro, ela não é facilmente encontrada, estando restrita aos mercadinhos ou lojas de produtos orientais, grandes redes de supermercados ou em lojas com apelo saudável ou natural.

Além de estimular a ingestão de alimentos mais saudáveis como recheio, a folha de arroz é uma excelente alternativa para quem tem intolerância ou alergia ao glúten já que é livre dessa proteína. Para crianças celíacas, por exemplo, é uma boa alternativa para fazer parte da lancheira escolar.

Recheios
A folha de arroz é fonte de carboidratos e energia não tendo quantidades importantes de proteínas, vitaminas e minerais. Por isso, é importante caprichar nos alimentos que irão fazer parte do recheio. Opte por alimentos naturais; verduras, legumes e até frutas são ótimas opções e irão enriquecer a alimentação com fibras, vitaminas e minerais importantes para o bom funcionamento do organismo. Tempere com pouco sal e use temperos naturais como manjericão, alecrim, manjerona.

recheios

Foto: Roberta Stella

Como a ideia é evitar alimentos ricos em sódio e gordura saturada, não use embutidos como peito de peru, presunto ou salame e, também, evite os queijos muçarela, muçarela de búfala, queijo prato, polenguinho.

Opções mais saudáveis são o atum e a sardinha (pode ser enlatada) e que tal fazer uma pasta de ricota bem temperada com cebola, salsinha e pimenta do reino? Fica deliciosa!

Essas são algumas ideias! Você pode criar o sanduíche ou wrap com os ingredientes mais saudáveis que você mais gosta!

Se você tem acesso a esse produto, vale tentar. As embalagens contêm muitas folhas e, por isso, rende bastante. E o tempo de validade é longo, assim, evita o desperdício de alimento e de dinheiro! Não é ótimo?

Vamos à minha sugestão!

wrap_folha_arroz

Foto: Roberta Stella

Wrap de folha de arroz

Rendimento: 3 unidades

Ingredientes
– 3 folhas de arroz

Recheio
– 2 folhas de alface picadas
– 0,5 unidade de avocado picado (é o abacate pequeno, mas pode usar o abacate normal)
– 0,25 unidade de cenoura cortada em forma de palitos finos
– 0,25 unidade de erva doce picada em forma de palitos finos
– 3 tomates cereja cortados em 4 pedaços
– 3 colheres (sopa) rasas de creme de queijo

Modo de Preparo
Hidrate a folha de arroz durante um minuto ou de acordo com a embalagem (mais detalhe no final da receita). Coloque a folha hidratada em cima de um pano de prato limpo. Distribua os recheios em uma das pontas da folha de arroz e dobre como se fosse uma panqueca, deixando todos os lados fechados para não cair o recheio na hora de comer. Corte ao meio e sirva.

Como hidratar

Foto: Roberta Stella

Foto: Roberta Stella

 

 

Separe as folhas de arroz.

 

 

 

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Foto: Roberta Stella

 

Em um prato fundo, coloque água. Adicione a folha de arroz e espere 1 minuto. Hidrate uma por vez. Se colocar mais de uma na água, elas irão grudar.

 

 

 

folha_arroz_pronta

Foto: Roberta Stell

Ao retirar a folha, ela estará mole mas consistente e, por isso, ela não quebrará tão facilmente. Coloque a folha hidrata com cuidado em cima de um pano de prato limpo. Recheie e dobre como se fosse uma panqueca, tomando o cuidado para fechar todos os lados.

 

 

Dicas:

– Não coloque para secar em cima de papel toalha. Irá grudar.

– Não é necessário uma grande quantidade de recheio. Selecione, no máximo, 4 tipos. Confesso que eu havia selecionado vários que, infelizmente, tive que jogar fora. Então, dica de amiga: não precisa de muito, utilize pequenas quantidades.

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Foto: Roberta Stella

 

 

Eu utilizei essa marca de folha de arroz. Não é publicidade, apenas para você ver como elas vêm. Essa marca é uma caixa com 50 folhas. Vai durar muito!! :D


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Glúten, trigo, doença e dieta

2014 é o ano em que o vulcão chamado glúten entrou em erupção. Não há como sair ileso de qualquer conversa sobre alimentação, passar por uma foto no Instagram ou, ainda, em um post no Facebook sem ouvir ou ler a palavra glúten. E, na era dos alimentos industrializados, a expressão trending topic é gluten-free ou, no bom português, sem glúten.

E as empresas de alimentos estão apostando alto. De acordo com pesquisa feita pela Nielsen, o mercado americano de produtos sem glúten cresceu 20% de junho de 2013 a junho de 2014. Isso representa um salto de 1,46 bilhão para 1,75 bilhão de dólares. Relatório publicado pela Research and Markets projeta o montante de 6,83 bilhão de dólares, o mercado mundial de glúten-free em 2019.

Como sempre a comercialização e apelo “sem [pense em qualquer substância ou nutriente apontados como vilão da saúde]” tem muita força. Exemplos são o “sem açúcar”, “sem gordura”, “sem gordura trans”, “sem aditivos”, “sem lactose” e, agora, “sem glúten”.

Por que o glúten passou a ser o grande vilão e todo mundo precisa excluí-lo da dieta?

Eu tenho uma teoria para ele ser vilão, mas como é uma teoria de minha propriedade, tenho o direito de não compartilha-la. Prefiro, aqui, falar sobre observações relatadas e publicadas na literatura científica, nas sociedades e órgãos de saúde.

Há três condições relacionadas com o glúten e relatadas na literatura. São elas:

1. Doença celíaca
2. Alergia ao trigo
3. Sensibilidade ao glúten não celíaca

1. Doença celíaca

A doença celíaca está muito bem estudada e documentada. Ela é uma doença autoimune, ou seja, ao ingerir o glúten presente no trigo, centeio, cevada, malte e aveia (por contaminação cruzada já que a aveia não contém glúten), o sistema imune o identifica como um corpo estranho e passa a atacar o intestino. Esse ataque acarreta na diminuição das vilosidades (pregas) que compõem as células do intestino delgado, ou seja, há uma diminuição importante no tamanho da área de absorção o que, consequentemente, dificulta que nutrientes que estão no intestino sejam metabolizados e usados por nosso corpo.

Abaixo, a imagem mostra um intestino com as vilosidades (I) e a representação das células do intestino de uma pessoa celíaca (II).

Vilosidade do intestino delgado na doença celíca

 

 

 

 

 

 

Esse cenário de ataque ao intestino gera um quadro de inflamação local e falta de nutrientes (desnutrição) que levam a sintomas a curto prazo, e outras doenças são relatadas decorrentes do não tratamento da doença celíaca. Entre os sintomas relatados, estão: diarréia, aumento de gases, baixo ganho de peso, baixa estatura, osteoporose, infertilidade, dor de cabeça, depressão, irritabilidade, fadiga.

Como saber se tem doença celíaca ou não? Ao consumir glúten, há um grande desconforto, apresentando diarréia e grande produção de gases. Ao ir ao médico e nutricionista, esses profissionais irão questionar sobre a história, investigando quando sente e quando começaram a surgir esses sintomas. Havendo a suspeita da doença celíaca, o diagnóstico é possível com dois exames: o de sangue que analisará a presença de anticorpos e a endoscopia que irá coletar amostra do intestino com a finalidade de visualizar a presença ou não das vilosidades.  Tendo a presença dos anticorpos específicos para detectar a doença celíaca e a ausência das vilosidades é feito o diagnóstico de doença celíaca.

E feito o diagnóstico, como tratar? Simplesmente, excluindo todos os alimentos que contêm glúten. Diferentemente da intolerância à lactose que é possível tratar com a enzima lactase, não existe a possibilidade de usar qualquer tipo de enzima na doença celíaca. Por isso, a necessidade de excluir qualquer tipo e quantidade de alimento que apresente glúten na composição. Pizza, pão, biscoito, sanduíches, barrinha de cereais, todos os alimentos à base de trigo, aveia, cevada, centeio, bolos, tortas, empanados, cerveja, uísque devem ficar de fora do cardápio do celíaco. É fundamental ler o rótulo e verificar se o alimento “contém glúten” e excluí-lo da alimentação. Não é permitido nem em pequenas quantidades.

2. Alergia ao trigo

A alergia ao trigo – assim como todas as alergias – envolve relações do sistema imunológico que, ao ser ingerido, identifica a proteína do trigo como um corpo estranho e, imediatamente, desencadeia várias reações imunológicas que levam ao aparecimento de sintomas em um curto período de tempo.

Agora, começa a complicar. Mas, a doença celíaca não é uma doença do sistema imune? É, também, mas não somente. A doença celíaca é uma doença gastrointestinal (lembra da perda das vilosidades?) que envolve mecanismo imune diferente da alergia ao trigo, agindo localmente (no intestino). Além disso, a intolerância permanente na doença celíaca é causada pelo glúten presente não somente no trigo mas, também, no centeio, cevada, malte e aveia. Já, na alergia ao trigo, outras partes protéicas estão relacionadas como a doença como a albumina e globulina sendo a alergia à gliadina e glutenina (duas parte que compõem o glúten) menos frequente.

Os sintomas da alergia ao trigo são rinite alérgica, asma, eczema, urticária, inchaço da boca e, em casos mais graves, há a dificuldades respiratórias, perda de pressão arterial, dificuldade em comer  podendo levar à anafilaxia (quadro extremamente grave).

Os sintomas de alergia ao trigo e da doença celíaca se diferem. Sendo a doença celíaca uma doença gastrointestinal, os sintomas mais comuns nela são diarréia, gases, distensão abdominal, desnutrição. Esses sintomas são incomuns na alergia ao trigo.

A alergia ao trigo é rara. Dados americanos indicam que 0,4% das crianças americanas e 0,5% dos adultos são alérgicos ao trigo. É interessante notar que trabalhadores que estão em contato direto com o trigo (padeiros, trabalhadores de moinhos) apresentam chance maior em desenvolver a alergia ao trigo por contato ou por aspirá-lo.

A suspeita de alergia ao trigo é levantada estudando o histórico familiar, fazendo teste de exclusão e inclusão na dieta e a confirmação é feita através de exame de sangue verificando a presença de anticorpos específicos dessa alergia.

3. Intolerância ao glúten não celíaca

Como se diz lá no interior, é agora que a porca torce o rabo.

Vamos recapitular um pouco para seguirmos em frente. Quem tem intolerância permanente ao glúten (doença celíaca), ou seja, não pode nem consumir uma hóstia porque já desenvolve os sintomas gastrointestinais (gases, diarréia), tem que excluir todos os alimentos que contêm glúten da dieta para sempre. Quem tem alergia ao trigo desenvolve sintomas imediatos ao consumir esse grão ou alimentos que o contenha, apresentando vermelhidão e erupções na pele, por exemplo. Se você ao consumir alimentos com glúten não apresenta nenhum desses quadros, levanta as suas mãos para o céu e agradeça: você não tem essas doenças. Então, até esse momento, não é necessário excluir o nosso delicioso pão de cada dia da alimentação.

Agora, vamos falar da intolerância ao glúten não celíaca.

A intolerância do glúten não celíaca identifica aquelas pessoas que apresentam desconforto ao ingerirem alimentos fontes de glúten mas que exames não mostram alteração na parede do intestino delgado como, também, não são observados anticorpos da doença celíaca e da alergia ao trigo no exame de sangue. Por exclusão, esses indivíduos são diagnosticados com intolerância ao glúten não celíaca.

Os sintomas da intolerância ao glúten não celíaca são semelhantes aos da doença celíaca e, entre eles estão distensão abdominal, dor abdominal e diarréia, além de vários outros não relacionados com os intestinais como dor de cabeça, depressão, fadiga, problemas dermatológicos e dores nas articulações.

Por não haver danos intestinais, não ocorre aumento da permeabilidade do intestino o que levaria a passagem de toxinas, bactérias e proteínas não digeridas para o corpo.

A classificação de intolerância ao glúten não celíaca é recente e recebeu essa nomenclatura em consenso realizado em 2012.  A prevalência dessa intolerância foi observada em 6% de uma amostra de 5.896 pacientes de uma clínica nos Estados Unidos.

Por ser uma classificação recente e os seus sintomas se assemelharem com a síndrome do intestino irritável, há muitas perguntas que ainda precisam ser estudadas e analisadas. Dúvidas sobre a possibilidade de ser outra proteína do trigo que leva aos sintomas e não o glúten ainda existem. Além de poder ser outras frações de proteínas, há a sugestão de que carboidratos que sofrem fermentação no intestino delgado conhecidos como FODMAP’s (sacarídeos fermentáveis: oligo, di, monossacarídeos e polióis) – e que também estão presentes no trigo – levam ao desenvolvimento dos sintomas, ou seja, o agente desencadeante pode não ser o glúten mas, ao retirar o glúten da dieta, retira-se os alimentos que contém esses sacarídeos fermentáveis, levando a um erro de avaliação.

Por isso, quando se fala de intolerância ao glúten, há sempre a seguinte questão sendo levantada: será que o problema é o glúten?

Sobre o glúten estar associado ao desenvolvimento de doenças auto-imunes e neurológicas pouco se sabe, não há nenhuma comprovação científica apesar de haver essa suspeita. É fundamental aqui diferenciar associação de causalidade. Parece a mesma coisa, mas estatisticamente, elas tem interpretações diferentes. Por exemplo, não lavar as mãos associa-se (aumenta o risco) com o surgimento de determinada doença, mas não há uma relação de causa e efeito. Apesar do glúten parecer estar associado a determinadas doenças, ele não as causa. 

Se eu ou você que lê esse post ingerimos glúten diariamente, podemos ficar tranquilos. Isso não quer dizer que iremos necessariamente desenvolver alguma doença auto imune ou neurológica. Mas, é necessário estudos para identificar associação entre consumir glúten e desenvolver essas doenças em várias populações e, por populações entenda-se amostras de indivíduos sem presença de sintomas, com sintomas, com doença celíaca, com síndrome do intestino irritável e verificar qual é a associação entre elas e o glúten. Por exemplo, pode-se chegar a conclusão que quem tem a intolerância ao glúten não celíaca tem um associação maior de desenvolver determinadas doenças do que pessoas sem sintomas.É necessário ressaltar a dificuldade de metodologia para desenvolver estudos que relacionem a ingestão de glúten com doenças auto imune e neurológicas já que, na maioria dos casos, elas se desenvolvem em idades mais avançadas. E, como dito antes, será uma relação de associação que terá outros fatores envolvidos como, nível sócio econômico, hábitos de vida (dieta, prática de exercícios) e outra variável que os cientistas queiram estudar.

Novamente, é importante ressaltar que se há algum desconforto ou sintoma ao consumir algum alimento – inclusive o glúten – procure a ajuda de um gastroenterologista e nutricionista para estudar, avaliar, diagnosticar e tratar. Se for necessário, serão realizados teste de exclusão e inclusão na dieta, teste de imagem, biópsia e exame de sangue. Retirar por conta própria o glúten pode levar a uma demora ou até a um erro de diagnóstico.

Glúten e Imunidade

Estudo de revisão publicado recentemente (junho, 2014) no Nutrition Journal, analisou vários constituintes da dieta ocidental e os efeitos na imunidade e relação com a disbiose (maior presença de bactérias nocivas do que protetoras no intestino). A imagem abaixo, é um resumo do que foi observado.

inflamacao nutrientes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em relação ao glúten, é relatado que estudos realizados em animais e utilizando cultura de células observaram que o glúten pode estimular a inflamação, entretanto, não há nenhuma conclusão definitiva e é necessário estudos analisando a correlação em humanos. O glúten é digerido em nosso intestino, mas em indivíduos celíacos, ele é identificado como um corpo estranho e, consequentemente, iniciam reações imunológicas que destroem as vilosidades das células do intestino delgado (processo discutido no início desse post).
O artigo induz a não necessidade da exclusão do glúten da alimentação em indivíduos não diagnosticados com doença celíaca, citando “especulação”dos resultados dos estudos em animais para a defesa da exclusão do glúten da alimentação.

Mudanças no padrão alimentar

No século passado, intensificou-se a busca na alimentação para os nossos males na saúde. Estudos mostraram relação positiva e, também, negativa de nutrientes com algumas doenças. Gorduras saturadas e trans se associam positivamente com doenças cardiovasculares. Por outro lado, fibras tem uma relação inversa, ou seja, quanto mais presente na dieta, observa-se efeito protetor. Todos esses estudos levaram e levam ao desenvolvimento de guias alimentares para a população, bem como, recomendações nutricionais para indivíduos.

Mas, o que o escritor Michael Pollan em seu manifesto Em defesa da comida cita como nutricionismo, ou seja, a nutrição distorcida e fala até de “pseudociência”, pode ter colaborado para a ingestão do excesso de um grupo alimentar: os cereais, entre eles, o que apresenta maior poder alergênico: o trigo. E, aqui, falar em maior poder alergênico não tem somente a ver com o glúten.

Ao levantar a bandeira de que as gorduras saturadas presentes nos alimentos de origem animal eram as grandes vilãs, infelizmente, não levou a população a comer mais peixes que possuem gorduras protetoras. Houve a substituição da gordura saturada para a maior ingestão de cereais, principalmente, os refinados que possuem menor qualidade nutricional (menos fibras e vitaminas).

O grande vilão nunca foi a gordura saturada (provavelmente, a gordura trans), muito menos o glúten. O grande vilão atende por uma palavra: excesso. Excesso de gordura saturada, excesso de lactose, excesso de proteína do leite, excesso de sódio e, pasmem!, excesso de glúten. E, como se fosse uma balança bem sincronizada, quando de um lado há o excesso, do outro há a falta. Falta de fibras na quantidade adequada, falta de vitaminas, falta de sais minerais e outras substâncias, entre elas, antioxidantes e protetores da nossa saúde.

Por isso, o caminho mais coerente é evitar qualquer um dos pratos dessa balança. Tudo tem que estar em equilíbrio. Se há excesso de cereais refinados, principalmente, o trigo que contém glúten, reduza – mas não exclua – a ingestão desses alimentos. Se há baixa ingestão de fibras, consuma mais cereais integrais (substitua o refinado pelo integral), mais frutas, legumes e verduras. Se consumimos muita carne bovina, diminua e passemos a comer mais sardinha (não precisa ser salmão!).

Agora, eu permito a expor a minha opinião: não torne o seu entendimento sobre a sua alimentação simplista. Nenhum nutriente ou alimento irá ser a causa ou a cura da falta de saúde. A nossa alimentação vai muito além do que colocamos na boca, mas pense o por quê colocamos um alimento para passar por todo o nosso trato digestório até ser aproveitado pelo nosso corpo. Felicidade faz com que desejamos comemorar em torno de uma mesa com a família e os amigos. Felicidade é saúde! Comemos para nos socializar, para ficarmos mais próximos. Isso também é saúde! Mas, assim como não comemoramos todos os dias, os excesso alimentares devem ficar restritos, devem ser esporádicos. Pão, macarrão, croissant são capazes de identificar um povo!

Mas, se você apresenta formação de gases, diarréia, problemas dermatológicos, dor de cabeça ao consumir alimentos fonte de glúten, vá ao gastroenterologista e ao nutricionista. Não exclua o glúten sem consultar e fazer exames para detecção de doença celíaca ou de alergia ao trigo ou de intolerância ao glúten não celíaca ou de síndrome do intestino irritável.

Agora, se há o consumo de pão, macarrão, biscoito, bolo, barrinha de cereais, granola em um mesmo dia, isso é excesso. Que tal em um dia o pão, em outro o macarrão e, talvez, em outro, o biscoito? Isso é ir em direção à moderação.

Foque em uma alimentação que inclua. Inclua mais peixes, inclua mais vegetais, inclua mais alimentos naturais. Aí, sim, aumentará o interesse para um boa alimentação e, a transformação virá.

Artigos e sites pesquisados

The big bet on gluten-free. http://www.nytimes.com/2014/02/18/business/food-industry-wagers-big-on-gluten-free.html?_r=0

Gluten-free products market by type, sales channel & geography – Global trends & Forecasts to 2019. http://www.researchandmarkets.com/reports/2552839/glutenfree_products_market_by_type_sales#pos-0

Why were wasting billions on gluten-free food http://business.time.com/2013/03/13/why-were-wasting-billions-on-gluten-free-food/
http://www.nytimes.com/2014/06/18/dining/gluten-free-eating-appears-to-be-here-to-stay.html
http://www.forbes.com/sites/rosspomeroy/2014/05/15/non-celiac-gluten-sensitivity-may-not-exist/

Federação Nacional das Associações dos Celíacos do Brasil. http://www.fenacelbra.com.br/fenacelbra/

National Foundation for Celiac Awareness. http://www.celiaccentral.org/

Wheat allergy. Food Allergy Research & Education. http://www.foodallergy.org/allergens/wheat-allergy

Wheat allergy. American College of Allergy , Asthma & Immunology. http://www.acaai.org/allergist/allergies/Types/food-allergies/types/Pages/wheat-allergy.aspx

What is wheat allergy? What causes a wheat allergy? Medical News Today. http://www.medicalnewstoday.com/articles/174405.php

Sensibilidade ao glúten na ausência de doença celíaca. British Medical Journal. http://www.grupoa.com.br/revista-bmj/artigo/8507/sensibilidade-ao-gluten-na-ausencia-de-doenca-celiaca.aspx

FODMAP’S – Fermentable Oligosaccharides, Disaccharides, Monosaccharides e Polyols. http://www.dhcraleigh.com/web/wpc/uploads/2014/06/FODMAP-DIET-REVISED.pdf

Fast food fever: reviewing the impacts of the Western diet on immunity. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4074336/

Em defesa da comida. Michael Pollan. http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=3233102&termo=em%20defesa%20da%20comida


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Tapioca com banana da terra

tapioca banana da terraNa onda da tapioca, me aventurei e aprovei. Hoje em dia, é muito fácil já encontrar a goma de tapioca nos supermercados, varejões ou hortifrutis. Aí, basta passar em uma peneira para a farinha ficar fininha. Para a goma de tapioca não amarelar rapidamente e estragar, guarde-a bem fechada na geladeira. Aí, dura bastante, semanas.

Bem, a duplinha peito de peru (ou presunto magro) – mussarela facilmente enjoa. E, se tem um alimento que lembra a minha infância, um deles é a banana da terra. Na minha visita ao varejão, não resisti. Comprei e recheei a minha tapioca.

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