Roberta Stella | Nutrição sem dieta


Deixe um comentário

Consequências e diferenças entre o emagrecimento intencional e o peso perdido naturalmente

Quando eu digo que sou contra as dietas isso pode ser entendido, equivocadamente, que sou contra o emagrecimento. Não, isso não é verdade! Entretanto, é uma excelente oportunidade trazer o entendimento de qual tipo de emagrecimento eu não apoio e os por quês.

Sim, não existe somente uma forma de emagrecimento. De maneira geral, há duas possibilidades que trazem diferenças importantes Continuar lendo


Deixe um comentário

O que acontece com o peso ao deixar de fazer dieta: ocorrerá o emagrecimento ou ganho de peso?

Uma preocupação muito grande das pessoas que consideram a possibilidade de começar uma alimentação sem estar baseada em dieta, em restrições alimentares e em julgamentos da comida é sobre o que irá acontecer com o peso, mais especificamente se elas irão engordar na busca de uma melhor relação com a comida e com o corpo.

Pode soar muito estranho uma pessoa querer se livrar do dissabor que é a preocupação excessiva com a comida e todos os sentimentos desagradáveis que surgem ao pensar em comer, e ainda colocar a questão se irá engordar.

Entretanto, é completamente compreensível já que vivemos em uma sociedade e cultura gordofóbica onde, muitas vezes, não é necessário nem estar acima do peso para se considerar fora do padrão ideal (ou irreal?) de corpo.

Por isso, vou explicar para você que lê essa minha matéria, o que digo aos meus pacientes no consultório.

Continuar lendo


Deixe um comentário

O que acontece se tentar enganar a fome

“Bebo refrigerante zero para disfarçar a fome”, “só depois de terminar esse trabalho, vou comer”, “Fiquei entretid@ com o trabalho e a fome sumiu”. São situações muito comuns de ouvir. Você se identifica com alguma delas?

Mas, a alimentação sem estrutura, sem refeições com cara de refeição, a urgência em comer que leva a beliscar a tarde inteira ou, à noite, não ter paciência e nem vontade de preparar algo com “mais cara de comida”,  muitas vezes se devem a não atender a fome quando ela apareceu.
FOME (1)
Fome não dá para disfarçar porque, depois de um tempo, ela volta potencializada. Isso significa que não será possível usar qualquer esforço em parar para pensar o que comer e parar para preparar algo para comer. Comerá o que tiver disponível e, normalmente, são alimentos de menor qualidade nutricional e altamente palatáveis como doces e salgadinhos.

Para comer mais saudável, é necessário começar a identificar esses sinais e saber o momento de se preparar para sair para comer. Essa é a hora certa de comer. A hora que o seu corpo começa a dar os sinais que não são desagradáveis e que não dá a necessidade de urgência em comer.


Deixe um comentário

Beber água para enganar a fome? É errado sentir fome?

Uma relação muito ruim com a comida e a imposição de regras alimentares levam à dificuldade de entendimento dos sinais do corpo da fome e da saciedade. Essa falta de entendimento leva ao medo de sentir a fome que pode trazer sensações desagradáveis já que, por querer emagrecer, a fome surge como algo negativo e, também, leva às atitudes alimentares que irão prejudicar o emagrecimento.

A seguir, cito três dessas atitudes:

(1) Por achar que a fome é uma sensação ruim, comer pode ser acompanhado de culpa e raiva, principalmente, se a comida for aquela proibida pelas dietas como, por exemplo, doces e chocolates;

(2) Por ter medo de ter fome, previne-se de senti-la comendo antes dessa sensação aparecer, podendo levar, portanto, a uma quantidade Continuar lendo


Deixe um comentário

Sobre magros e gordos

Uma sombra ou crítica que acompanha os nutricionistas que dizem não às dietas é que eles fazem a defesa do corpo gordo o que, irresponsavelmente, incentivaria essas pessoas a ficarem doentes. Somente essa frase daria um outro texto no qual a “saúde em todos os tamanhos” ou health at every size (HAES) seria a argumentação para entender que ter um corpo gordo não significa, necessariamente, uma pessoa sem saúde. Pessoas que têm a ideia de que o risco é causalidade propagam um erro grave de interpretação de resultados estatísticos. É sabido que não são todas as pessoas com diabetes, hipertensão, doenças coronarianas ou cânceres que apresentam obesidade. Por isso, julgar o corpo gordo como doente ou que irá desenvolver alguma doença em algum momento é mais uma questão de estigma que o acompanha do que de embasamento estatístico-científico sobre saúde.

Por outro lado, e parece que é mais fácil entender quando é falado do corpo magro, não há a relação de que essa forma de corpo isenta essas pessoas da doença. Você deve conhecer pessoas magras que tem diabetes ou câncer ou hipertensão. Mas você sabe que não são todas as pessoas que tem alguma doença crônica, magras; muito menos, associa que aquelas que não estão doentes hoje, todas desenvolverão algum problema de saúde.

Agora, por que estar com o IMC acima de 25, instantaneamente, leva as pessoas a deduzirem que todas estarão com alguma doença crônica em algum momento da vida? Por que há a crença da relação de causalidade entre estar com excesso de peso e doenças sendo que a relação é de risco?

Assim, quando falamos sobre corpos, não se trata de estar a favor dos magros e contra os gordos ou, então, a favor dos gordos e contra os magros. Essa dicotomia em relação ao peso (magros e gordos) é criticada tanto quanto a dos alimentos (bons e ruins, saudáveis ou não).

A busca é pelo peso natural. Isso é muito importante entender porque, se há a manutenção de um peso baseado em restrições alimentares, esse peso não é natural. Isso significa que se você precisa “controlar” ou “maneirar” em algum determinado alimento durante a semana para se permitir “um pouco no final de semana” e isso te faz ficar dentro desse peso, a estratégia está errada e, provavelmente, esse peso não é o seu naturalmente.

No meio da frase acima, há muitos aspectos a serem entendidos como respeito aos sinais da fome e da saciedade, desenvolvimento da autonomia alimentar e deixar de lado o “fiscal” ou “policial” da comida que coloca sempre o papel julgador em ação. Entendendo todos os aspectos relacionados na escolha e na quantidade de comida ingerida, o peso é consequência.

Nesse momento, começará a entender que, talvez, aquele peso menor não é, naturalmente, seu. Talvez, aquele peso maior não é, naturalmente, o seu.

Percebe-se, então, que peso é consequência de atitudes alimentares. Se as atitudes alimentares são ajustadas para as mais adequadas, o peso que se chegará é o que é o mais natural para você.

Aí, vem o trabalho de aceitação corporal, principalmente, em uma cultura tão opressora para o corpo mais pesado, em aceitar o peso maior do que aquele mantido artificialmente com restrições alimentares. Perceba que digo mais pesado porque, muitas vezes, encontrar o peso natural não significa sair do magro para o obeso. A maior parte, fica dentro do IMC normal, talvez, no sobrepeso. Mas, hoje em dia, isso é tão opressor que é traduzido como gordo ou obeso.

Entender, também, que comportamentos mais adequados em relação à alimentação e ao maior movimento do corpo são os aspectos modificáveis que se relacionam com a melhoria da saúde e do bem estar. O peso não é um comportamento, ou seja, não é modificado por si só. O peso muda se atitudes em relação à forma de se alimentar são ajustadas. Por isso, peso não é objetivo e nem meta. Peso natural é consequência e, para atingi-lo, a caminhada é longa (bem mais longa que as dietas restritivas), mas é um trabalho libertador para aceitar o peso natural e, ao mesmo tempo, melhorar o bem estar.