Roberta Stella | Nutrição sem dieta


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Beber água para enganar a fome? É errado sentir fome?

Uma relação muito ruim com a comida e a imposição de regras alimentares levam à dificuldade de entendimento dos sinais do corpo da fome e da saciedade. Essa falta de entendimento leva ao medo de sentir a fome que pode trazer sensações desagradáveis já que, por querer emagrecer, a fome surge como algo negativo e, também, leva às atitudes alimentares que irão prejudicar o emagrecimento.

A seguir, cito três dessas atitudes:

(1) Por achar que a fome é uma sensação ruim, comer pode ser acompanhado de culpa e raiva, principalmente, se a comida for aquela proibida pelas dietas como, por exemplo, doces e chocolates;

(2) Por ter medo de ter fome, previne-se de senti-la comendo antes dessa sensação aparecer, podendo levar, portanto, a uma quantidade Continuar lendo


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Cultura da dieta

É necessário falar sobre cultura da dieta para haver uma maior compreensão dos motivos que levam à decodificação ou interpretação de informações relacionadas à comida ou à maneira como nos alimentamos serem relacionados a aspectos morais da pessoa. Por que uma pessoa que se alimenta com restrições alimentares, comendo o que é julgado de certo ou saudável, é admirada, vista como uma pessoa de sucesso e exemplo a ser seguido? Ou, mesmo não sabendo sobre o hábito alimentar das pessoas, temos a imaginação de como elas se alimentam baseados somente na aparência física?

As interpretações morais da comida, representadas por alimento com ou ruim, estão relacionadas com o desenvolvimento de estereótipos e preconceitos do tamanho do corpo.

Os padrões que construímos na relação comida e moral tem como raiz diversos fatores como históricos, culturais, sociais e, até, Continuar lendo


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Por que não é falta de força de vontade abandonar a dieta

Quando alguém abandona a dieta ou quer se justificar por ter deixado a restrição de lado, são comuns frases como “eu não tive força para resistir” ou “me faltou força de vontade para me manter na linha”. Um dos efeitos colaterais de qualquer restrição é sempre dar a sensação de que é uma falha da pessoa que deixou a dieta de lado e jamais mostrar que qualquer dieta está fadada a dar errada. Se tem alguma falha, ela é inerente à restrição alimentar ou à dieta.

Apesar do Homem estar na Terra há centenas de milhares de ano, uma característica não sofreu alteração até os dias de hoje: o corpo lança mão de todos os recursos para preservar a vida quando percebe que está em situação de risco. Vale lembrar que em qualquer restrição alimentar, o nosso organismo entende que não há disponibilidade de alimentos e, portanto, precisa usar recursos para que o corpo não definhe, não se desgaste excessivamente e, assim, ele preserva as funções vitais para manter-se vivo.

Isso explica o porquê da maioria das pessoas que fazem dieta recuperarem o peso. Simplesmente porque, Continuar lendo


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3 maneiras de cuidar da saúde sem precisar fazer dieta ou emagrecer

Emagrecer pode levar ao pensamento equivocado como sendo uma atitude de cuidado com a saúde. Apesar da maioria das pessoas ter o discurso de querer emagrecer por causa da saúde, o que se esconde são crenças construídas para chegar próximo a um padrão de beleza imposto culturalmente e aceito socialmente. Por exemplo, ter uma boa auto-estima sobrevive a qualquer forma de corpo, mas muita gente diz que quer emagrecer para melhorar a auto-estima o que seria uma justificativa de saúde e não de ideal de beleza para emagrecer.

Outros motivos falhos para emagrecer que são enumerados estão melhorar ou prevenir o colesterol alto, cuidar ou controlar a glicemia sanguínea e ter mais disposição física para fazer as atividades do dia a dia. Entretanto, para todas essas justificativas em defesa de emagrecer fazendo dieta há uma alternativa mais eficiente de atingir o objetivo Continuar lendo


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A comida baiana de Jorge Amado

Ir à Bahia nos leva a uma viagem muito além das praias e do centro histórico. Visitar Salvador é uma excelente oportunidade para conhecer a comida baiana, do acarajé e abará às diversas moquecas e ao pudim de tapioca.

No café da manhã, banana da terra cozida, mandioca e cuscuz de milho. Muito coco e leite de coco nas preparações. Um acarajé genuinamente baiano todos os dias para guardar o sabor na memória. E não é somente o bolinho de feijão frito no azeite de dendê. É o vatapá, o caruru, o tomate verde e o camarão seco, tudo bem temperado com uma boa pimenta. A boca ficou anestesiada, diferentemente das papilas gustativas e das glândulas salivares que deixavam a boca preparada para tantos sabores, texturas e cheiros (sim, o cheiro do dendê no ar já faz a gente salivar!).

No meio de tanta riqueza gastronômica, em uma tarde, fui conhecer a Casa do Rio Vermelho onde Jorge Amado e Zélia Gattai viveram por quase 40 anos. Alí, naquela rua Alagoinhas, número 33, esperava encontrar o cotidiano fascinante de um dos maiores nomes da literatura brasileira e baiana. Como diz o cartaz na entrada “se for da paz, pode entrar”. Entrei.

Casa do Rio Vermelho de Jorge Amado e Zélia Gattai

Casa simples, bem simples, mas de uma riqueza cultural infinita. Não há luxo no mobiliário, mas as histórias contadas de pessoas que passaram e se hospedaram nela me fizeram querer voltar no tempo. Salas, quartos, biblioteca. Quando cheguei nas cozinhas (sim, são duas cozinhas na casa de Amado e Gattai), eu quis registrar. Das poucas fotos que tirei, achei essencial registra-las porque elas representam não somente a cozinha trivial de um casal, mas a reunião de amigos e, também, o alimento dos personagens dos livros de Jorge Amado. Aliás, uma literatura permeada pelos sabores com personagens caracterizados pela comida e temperos baianos.

Por ser uma literatura tão rica em comida, a filha de Jorge Amado, Paloma Amado, escreveu o livro “A Comida Baiana de Jorge Amado”, além de “As Frutas de Jorge Amado”. Segundo Paloma, “aprende-se lendo Jorge Amado que comida não é feita somente para alimentar: ela dá prazer ao ser vista, saboreada, cheirada e, sobretudo, é possível sonhar com ela, pois não se sonha só imagem, sonha-se cheiro, gosto e fartura”.

Saí de lá com a certeza de que valeu o passeio e com a vontade de devorar os livros de Jorge Amado e a culinária de seus personagens contadas por Paloma Amado. Enquanto isso, deixo aqui registros desse canto da casa tão especial que compartilho com você. Se for à Bahia, coloque no roteiro a Casa do Rio Vermelho que, infelizmente, parece ainda ser um passeio “alternativo”para os turistas que visitam aquela cidade. Estique o passeio, desça até o Largo de Santana e se delicie com o famoso e delicioso acarajé da Dinha.

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Largo de Santana

O famoso acarajé da Dinha no Largo Santana.