Roberta Stella | Nutrição sem dieta


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Dificuldade em comer vegetais

Dificuldades em aceitar ou gostar de verduras, legumes e frutas é muito frequente. Entretanto, muitas pessoas dizem que esses alimentos são saudáveis somente se comer da forma mais natural possível, sem muita gordura ou açúcar.

Essa construção do que é saudável pode ser ampliada. Saudável é comer de variadas formas, combinando diversos alimentos.

Uma cenoura apresenta muitas possibilidades, por exemplo. Bolo de cenoura, purê de cenoura, suflê de cenoura, cenoura cozida, cenoura ralada crua, cenoura assada. Todas são jeitos válidos de comer cenoura. Pode acrescentar temperos e ervas, sal e azeite. Não precisa ser sempre crua e “sem gosto” como muitos dizem.

Esse exemplo da cenoura vale para todos os vegetais.

Para começar a experimentar um novo alimento, comece com uma preparação que você julga mais gostosa, mesmo que tenha a ideia de não ser mais saudável porque o mais gostoso é tão bom que, provavelmente, você vai querer provar o alimento de diversas formas. Não é do dia para a noite. São tentativas que irão ajudar a explorar a diversidade que um único alimento apresenta para encontrar os diversos jeitos que você gostará de comer um mesmo alimento.

Seja curios@. Se permita provar.


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Gordos, magros e obesos – uma história do peso no Brasil

Os significados do corpo são uma construção social que influenciam os fatores econômicos, políticos e culturais. O entendimento de que a forma e o volume corporais como indicação de saúde é muito recente, datando, no Brasil, a partir de 1950 com o desenvolvimento de políticas públicas de saúde, dos direitos dos trabalhadores e, também, do conhecimento científico da Nutrição e saúde. Em seu livro Gordos, magros e obesos, a historiadora Denise Bernizzi Sant’Anna revela como era o entendimento do volume do corpo desde pouco antes da proclamação da República até os dias atuais.

No livro, é mostrado como um corpo gordo, antes sinônimo de sucesso, fartura e saúde, passou a ser interpretado, exatamente, da maneira inversa: hoje, o gordo é visto como um corpo não saudável carregando o peso, não só da falta de saúde, mas, também, de outros estereótipos como dotado de fraqueza moral e intelectual.

Em um momento da história brasileira, houve o pavor em emagrecer, considerando que era uma época em que a desnutrição predominava junto com o medo de surtos epidêmicos de doenças que ocorreriam no início do século XX. Época em que ser gordo não era uma questão a ser problematizada. Continuar lendo


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Resenha | A tirania das dietas. Dois mil anos de luta contra o peso. Louise Foxcroft

Ler o livro A tirania das dietas foi, para mim, um misto de curiosidade, surpresa e desconforto.

Um corpo não é somente um corpo por mais que desejaríamos que assim fosse. Um corpo está inserido em uma sociedade que dita regras de convívio e os significados político e cultural que ele representa. Um corpo não diz somente sobre um indivíduo, mas ele pode representar o que é o coletivo em que ele está inserido.

A autora Louise Foxcroft escreve: “Nosso corpo não apenas é inevitável, mas também o que a sociedade diz sobre ele, e o que consideramos “natural”, na verdade, é socialmente construído“.

Historiadores, filósofos e médicos da Antiguidade como, Galeno, Sócrates e, claro, Hipócrates ditaram regras alimentares e, até, comportamentos compensatórios como, por exemplo, a indução do vômito ou uso de laxantes para combater o corpo gordo já que comer tinha relação com a moral e, na falta dela (ser gordo significava ser inferior moralmente), a sociedade sofreria. Portanto, o preconceito contra corpos grande e gordos tem raízes antigas e se acentua na era cirstã onde a abstinência e o jejum são glorificados e atalhos para a salvação. O corpo magro passa a ser considerado divino e, o corpo gordo, pecaminoso. Continuar lendo


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Beber água para enganar a fome? É errado sentir fome?

Uma relação muito ruim com a comida e a imposição de regras alimentares levam à dificuldade de entendimento dos sinais do corpo da fome e da saciedade. Essa falta de entendimento leva ao medo de sentir a fome que pode trazer sensações desagradáveis já que, por querer emagrecer, a fome surge como algo negativo e, também, leva às atitudes alimentares que irão prejudicar o emagrecimento.

A seguir, cito três dessas atitudes:

(1) Por achar que a fome é uma sensação ruim, comer pode ser acompanhado de culpa e raiva, principalmente, se a comida for aquela proibida pelas dietas como, por exemplo, doces e chocolates;

(2) Por ter medo de ter fome, previne-se de senti-la comendo antes dessa sensação aparecer, podendo levar, portanto, a uma quantidade Continuar lendo


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Cultura da dieta

É necessário falar sobre cultura da dieta para haver uma maior compreensão dos motivos que levam à decodificação ou interpretação de informações relacionadas à comida ou à maneira como nos alimentamos serem relacionados a aspectos morais da pessoa. Por que uma pessoa que se alimenta com restrições alimentares, comendo o que é julgado de certo ou saudável, é admirada, vista como uma pessoa de sucesso e exemplo a ser seguido? Ou, mesmo não sabendo sobre o hábito alimentar das pessoas, temos a imaginação de como elas se alimentam baseados somente na aparência física?

As interpretações morais da comida, representadas por alimento com ou ruim, estão relacionadas com o desenvolvimento de estereótipos e preconceitos do tamanho do corpo.

Os padrões que construímos na relação comida e moral tem como raiz diversos fatores como históricos, culturais, sociais e, até, Continuar lendo