Nutricionista comportamental pode trabalhar com prescrição de dietas para emagrecer?

Para ouvir o texto a seguir, clique no áudio abaixo.

 

Sim, um nutricionista que se denomina comportamental pode ter uma conduta prescritiva, ou seja, orientar e entregar uma dieta para emagrecer que indica o horário ou momento do dia para fazer as refeições, as comidas e as quantidades delas que os seus pacientes devem comer.

Essa resposta leva a uma estranheza já que, no Brasil, há nutricionistas que compõem ou participam de grupos de estudos do comportamento alimentar que não são prescritivos, não orientam dietas e, vão além, expõem os motivos e os embasamentos para o não seguimento de dietas para emagrecer ou de um plano alimentar pré-determinado por um profissional, por um livro ou por um influenciador digital. Posso citar três grupos de ensino e estudos aqui em nosso país: o Instituto de Alimentação Consciente e Intuitiva (IACI), o Instituto Nutrição Comportamental e o Comportamento Alimentar do Instituto de Pesquisas, Ensino e Gestão em Saúde | iPGS). De uma maneira simplificada, os três citados baseiam-se na mudança do comportamento alimentar e, ao mesmo tempo, apresentam críticas importantes dos impactos negativos das dietas restritivas com o objetivo de emagrecer na saúde mental das pessoas.

Porém, apesar desses grupos citados serem importantes na formação de nutricionistas que se baseiam na mudança do comportamento alimentar com críticas às dietas e, portanto, apoiam uma conduta não prescritiva; há outros profissionais que divulgam o trabalho da mudança de comportamento alimentar, mas – ainda assim – prescrevem dietas.

Como isso é possível?

A base do trabalho para a mudança do comportamento alimentar são ferramentas, instrumentos e teorias desenvolvidas pela Psicologia que tem como base filosófica o behaviorismo.

A análise do comportamento, a teoria cognitivo-comportamental (TCC) e o modelo transteórico são intervenções possíveis de serem utilizadas para o estudo ou planejamento de metas para a mudança do comportamento. A intervenção baseada na TCC é a mais usada e recomendada pelos nutricionistas, principalmente, por aqueles que trabalham com os transtornos alimentares, com o comer transtornado já que ela inclui, para a mudança de comportamento, a avaliação de elementos mentais, ou seja, inclui a cognição na análise da relação com a comida e que é passível de mudança.

Qual é o diferencial do nutricionista que não trabalha com dietas, ou seja, não é prescritivo?

O nutricionista que utiliza intervenções baseadas no comportamento (mostradas anteriormente) e que não tem uma abordagem prescritiva, ou seja, apresentam argumentações para a não dieta, abraça os princípios do comer intuitivo que inclui, entre outos, o respeito aos sinais do corpo de fome e de saciedade, bem como o combate da mentalidade de dieta; além dos princípios do movimento chamado Saúde em Todos os Tamanhos ou, em inglês, Health at Every Size (HAES) que tem como base o incentivo e promoção de hábitos de saúde para todos os tipos de corpo, ou seja, o emagrecimento não é meta de saúde e nem o formato do corpo determina o quão saudável a pessoa está.

Como posso reconhecer se o nutricionista que se denomina comportamental é prescritivo ou não?

Nas mídias sociais, onde muitos profissionais se posicionam e divulgam informações sobre a área de atuação é muito importante prestar atenção no discurso, o que esse profissional anda divulgando sobre o seu trabalho e como ele aborda o comer e o corpo.

É um profissional que incentiva a mudança do comportamento alimentar e, ao mesmo tempo, fala de respeitar os sinais da fome e da saciedade ou, simplesmente, respeitar os sinais do corpo? Opa! Esse discurso, muito provavelmente, é de um profissional que abraça o comer intuitivo e o movimento HAES.

É um profissional que fala de comportamento alimentar mas, ao mesmo tempo, fala de alimentos saudáveis, ruins e tem um discurso pró emagrecimento, incentivando a perda de peso? Opa! Esse profissional, provavelmente, utiliza intervenções comportamentais, mas não abraça o comer intuitivo e o HAES em sua atuação profissional.

Por que eu digo “provavelmente”? Porque, infelizmente, têm profissionais que por má fé ou ignorância, utilizam expressões em voga, que estão em alta nas mídias sociais mas que, na prática, apresentam uma conduta tradicional e com um olhar mais reducionista do que é saúde e de como buscar um maior bem estar.

Por isso, é importante ficar atento ao discurso e, principalmente, colocar a capa de investigador e pesquisar, questionar e tirar todas as dúvidas com o profissional sobre a conduta e as ferramentas que ele utiliza na prática clínica.

Saiba mais

Institutos citados na matéria
Instituto de Alimentação Consciente e Intuitiva (IACI): https://www.institutoaci.com/
Instituto Nutrição Comportamental: https://www.nutricaocomportamental.com.br/
Pós em Comportamento Alimentar do iPGS: https://www.ipgs.com.br/curso/comportamento-alimentar-2019-comp

Leituras sugeridas

O behaviorismo em discussão: https://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/b00008

Intuitive Eating: https://www.intuitiveeating.org/10-principles-of-intuitive-eating/

Health at Every Size (HAES): https://www.sizediversityandhealth.org/content.asp?id=19

3 maneiras de cuidar da saúde sem precisar fazer dieta ou emagrecer: https://robertastella.com.br/2018/01/01/3-maneiras-de-cuidar-da-saude-sem-precisar-fazer-dieta-ou-emagrecer/

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