Roberta Stella | Nutrição sem dieta

Comer transtornado: comportamentos que trazem prejuízos à saúde

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Hoje em dia, ao descrever o comer transtornado, muitas pessoas questionam qual é o prejuízo dele. Esse interesse faz sentido porque as características que definem essa forma de comer está muito disseminado e validado no meio onde vivemos tanto socialmente quanto culturalmente.

De acordo com a Academy of Nutrition and Dietetics, o comer transtornado é caracterizado por um conjunto de comportamentos que levam ao comer disfuncional. As atitudes alimentares presentes no comer transtornado estão presentes nos transtornos alimentares, entretanto, o que diferencia o comer transtornado do transtorno alimentar é a frequência e a intensidade em que elas ocorrem.

Assim, o comer transtornado não é um diagnóstico, não é uma doença mental como os transtornos alimentares. É necessário, porém, lembrar que comportamentos alimentares que indicam o comer transtornado trazem prejuízos para a pessoa em um espectro que vai desde prejuízos no bem estar físico, emocional e, até, social e, portanto, é fundamental a busca por ajuda quando a comida e o comer ocupam maior espaço na vida, no dia e na rotina do que deveria atrapalhando outros aspectos do cotidiano tão importantes quanto o comer como, por exemplo, os estudos, o trabalho e a interação social com amigos e familiares.

Pessoas que apresentam o comer transtornado têm pensamentos, crenças e atitudes relacionadas à comida, ao peso e à forma corporal que levam a comportamentos rígidos ou inflexíveis na forma como comem e como se exercitam.

Comer transtornado

Acreditar que existem alimentos que engordam pode indicar a presença do comer transtornado.

Abaixo, estão algumas características envolvidas no comer transtornado:

-Excessiva preocupação com os ingredientes, os nutrientes e as calorias das comidas que leva à divisão delas em grupos como, por exemplo, bom e ruim; permitido e proibido; saudável e não saudável;
-Contar a quantidade de calorias dos alimentos que serão consumidos;
-Ter comportamentos compensatórios em relação ao comer como, por exemplo, se exercitar para se permitir comer algo que é proibido ou, ainda, se exercitar para “pagar” por ter comido algo muito calórico;
-Se valer de outras formas de compensar a culpa por ter comido como, por exemplo, o uso de laxante; arrumar excessivamente a casa; dispensar algum transporte para caminhar longas distâncias com objetivo de queimar calorias;
-Deixar de ir a eventos sociais com amigos ou familiares por causa da comida e do medo de “sair do controle”;
-Ansiedade e a sensação de estar confuso ao ter que decidir o que comer e, até mesmo, ao fazer compras no supermercado;
-Restrição alimentar progressiva, começando com um tipo de alimento e chegando a restringir grupos alimentares inteiros. Por exemplo: começa excluindo queijos com maior quantidade de gorduras até chegar a excluir todos os tipos de queijos inclusive os leites e iogurtes;
-Dias ou momento de um dia programado para “comer em excesso”como, por exemplo, o “dia do lixo”, nos finais de semana e feriados;
-Preocupação excessiva com o peso que leva a pesagens frequentes;
-Medo de engordar

A internalização do ideal de magreza leva à diminuição da satisfação corporal e a busca por dietas que são repetidas e realizadas de forma crônica ao longo da vida fazendo com que o peso flutue (efeito sanfona). O reforço das mídias de atitudes disfuncionais em relação ao comer como, por exemplo, incentivo à prática de dietas, reforço da dicotomia alimentar (alimentos bons versus ruins), informações sobre alimentação baseada unicamente no conteúdo de nutrientes do alimento e a grande exposição do corpo sobre o que é belo e saudável influenciam no desenvolvimento de um comer transtornado.

Como dito acima, apesar do comer transtornado não ser uma doença, ele traz grandes impactos no bem estar. Por isso, quando o ato de comer se torna algo difícil gerando sentimentos desagradáveis (culpa, raiva, revolta, insegurança, medo) busque ajuda de profissionais que não irão reforçar a prática de dietas e julgamentos relacionados ao corpo e à comida. Peça ajuda e apoio a um nutricionista que não prescreve dietas e nem tem o discurso das dietas quando a conversa é pautada em metas de peso e no que é ou não saudável comer.

Para saber mais
Palavras em inglês: disordered eating, disordered behavior

Sites
National Eating Disorders: https://www.nationaleatingdisorders.org/
Academy of Nutrition and Dietetics: https://www.eatright.org/

Livros
Nutrição e Transtornos Alimentares – avaliação e tratamento. Autoras: Marle Alvarenga, Fernanda Baeza Scagliusi, Sonia Tucunduva Philippi
Nutrição Comportamental. Organizadoras: Marle Alvarenga, Manuela Figueiredo, Fernanda Timerman, Cynthia Antonaccio

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