Roberta Stella | Nutrição sem dieta

Consequências e diferenças entre o emagrecimento intencional e o peso perdido naturalmente

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Quando eu digo que sou contra as dietas isso pode ser entendido, equivocadamente, que sou contra o emagrecimento. Não, isso não é verdade! Entretanto, é uma excelente oportunidade trazer o entendimento de qual tipo de emagrecimento eu não apoio e os por quês.

Sim, não existe somente uma forma de emagrecimento. De maneira geral, há duas possibilidades que trazem diferenças importantes entre elas, principalmente, ao considerarmos as consequências que elas trazem.

Emagrecimento intencional vs emagrecimento natural

Entender a forma como se relaciona com a comida e com o corpo é fundamental para a busca do emagrecimento natural do corpo.

Emagrecimento intencional

O emagrecimento intencional é aquele que a pessoa auto-impõe, ou seja, baseada em um desejo, em uma expectativa e, frequentemente, com interferência do padrão de beleza vigente, bem como de pressões sociais para ter uma corpo menor; é estipulada uma meta de peso. Então, aqui, percebemos que há um peso a ser atingido e ele é pensado e imposto para o corpo.

Para atingir esse peso imposto intencionalmente, algumas atitudes são tomadas que levam a prejuízos para a saúde física e, principalmente, para a saúde mental que descrevo abaixo:

-Restrição alimentar progressiva que leva o corpo a ter quantidades insuficientes de energia e nutrientes para ter uma bom rendimento no trabalho, nos estudos, na criatividade importantes para terminar o dia com a sensação de produtividade e satisfação;

-Obsessão com a quantidade de calorias e nutrientes, sendo tudo o que come contabilizado e, muitas vezes, pesado para ter a certeza que não está “saindo da dieta”;

-Pensar em comida toma um tempo importante do dia e, frequentemente, surgem sentimentos desagradáveis como receio, medo, insegurança, angústia, dúvidas e questionamentos se deve comer ou não;

-Comer é guiado, principalmente, por regras externas (comer aquilo que se entende saudável, comer de 3 em 3 horas, comer a quantidade estipulada pela dieta) sem olhar, sem considerar e sem atender as sensações do corpo (fome, saciedade, satisfação, vontades) e os significados da comida (por exemplo, ao ir em uma festa de aniversário acredita que não pode comer o bolo porque acredita que ele irá fazer engordar);

-Realizar uma atividade física passa a ser uma maneira compensatória para justificar ou dar permissão para comer determinados alimentos e, normalmente, é realizada sem prazer. O tempo gasto se exercitando pode aumentar conforme há o aumento da obsessão pela quantidade e pela qualidade da comida para atingir o peso estipulado;

-O peso é frequentemente medido podendo chegar a pesar-se todos os dias e, muitas vezes, mais do que uma vez ao dia;

-Com a restrição alimentar imposta, o corpo, através de mecanismos fisiológicos, irá “pedir” mais comida. Juntando com a dificuldade emocional em lidar com a comida surgem momentos de grande consumo alimentar como, por exemplo, no final do dia e começo da noite e, também, nos finais de semana e feriados.

É possível perceber que o emagrecimento intencional que somente é possível adotando uma dieta ou se impondo uma dieta traz prejuízos físicos e emocionais que são agravados com a prática crônica de dietas ou tentativas frequentes de emagrecimento.

Peso perdido naturalmente

O peso perdido naturalmente ocorre como consequência ou como efeito colateral ao buscar uma alimentação que visa atender as necessidades inerentes do corpo. Ao fazer essa breve descrição do que seria um peso perdido naturalmente, fico pensando se quem lê, você leitor e leitora, se questiona “mas que tipo de dieta é essa que leva a atender as necessidades do corpo?”.

Pois é, vale lembrar que para atender as necessidades do corpo é preciso deixar as dietas para trás. Abaixo, pontuo rapidamente como entender o peso como consequência de uma mudança alimentar.

-O peso é resultado da melhoria da qualidade e da melhoria da relação com a comida. Por isso, não existe um peso a ser atingido, uma meta de peso (lembre-se que meta de peso é o emagrecimento intencional);

-O peso e a forma como se relaciona com o corpo são importantes. Assim, o pensar o peso e a forma do corpo deve ser entendido para que possa ter uma visão crítica dos padrões de corpos que são estabelecidos dentro da nossa sociedade;

-A forma de se alimentar passa a deixar as regras externas de lado para iniciar o processo de “ouvir” os sinais do corpo de fome, saciedade, entender as vontades e quando atendê-las;

-Ter o entendimento do papel e do espaço que toma a comida na nossa vida leva à permissão em comer que difere da restrição auto-imposta (dietas) e da permissividade alimentar que surge após períodos de restrição alimentar que leva ao comer em excesso sem levar em consideração a qualidade alimentar;

-O corpo tem um peso que pode ser diferente daquele que é pensado e desejado e, por isso, pode haver resistência na busca por essa melhor relação com o corpo. Buscar o peso natural do corpo leva a enfrentar o que é dito e imposto sobre “comer saudável” e sobre “peso saudável”. Entretanto, há um ganho muito maior: autonomia alimentar, respeito pelo corpo e adoção de atitudes e comportamentos que melhoram a saúde.

Parece ser claro a diferença de impactos na saúde tanto física quanto emocional entre essas duas formas de emagrecer. Enquanto a via intencional de emagrecimento vai pela caminho arriscado e de prejuízos para o bem estar – vale lembrar aqui, que as chances são baixíssimas de conseguir manter o peso atingido e altíssimas de desistir da dieta e recuperar o peso eliminado; buscar o emagrecimento e o peso natural do corpo pelo caminho da autonomia alimentar, entendimento dos sinais de fome e saciedade e, também, questionamento de padrões impostos traz maior aderência a comportamento que impactam positivamente na saúde como melhor qualidade alimentar, prática de atividade física por prazer e maior busca de autocuidado.

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