Roberta Stella | Nutrição sem dieta


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Gordos, magros e obesos – uma história do peso no Brasil

Os significados do corpo são uma construção social que influenciam os fatores econômicos, políticos e culturais. O entendimento de que a forma e o volume corporais como indicação de saúde é muito recente, datando, no Brasil, a partir de 1950 com o desenvolvimento de políticas públicas de saúde, dos direitos dos trabalhadores e, também, do conhecimento científico da Nutrição e saúde. Em seu livro Gordos, magros e obesos, a historiadora Denise Bernizzi Sant’Anna revela como era o entendimento do volume do corpo desde pouco antes da proclamação da República até os dias atuais.

No livro, é mostrado como um corpo gordo, antes sinônimo de sucesso, fartura e saúde, passou a ser interpretado, exatamente, da maneira inversa: hoje, o gordo é visto como um corpo não saudável carregando o peso, não só da falta de saúde, mas, também, de outros estereótipos como dotado de fraqueza moral e intelectual.

Em um momento da história brasileira, houve o pavor em emagrecer, considerando que era uma época em que a desnutrição predominava junto com o medo de surtos epidêmicos de doenças que ocorreriam no início do século XX. Época em que ser gordo não era uma questão a ser problematizada. Continuar lendo


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Resenha | A tirania das dietas. Dois mil anos de luta contra o peso. Louise Foxcroft

Ler o livro A tirania das dietas foi, para mim, um misto de curiosidade, surpresa e desconforto.

Um corpo não é somente um corpo por mais que desejaríamos que assim fosse. Um corpo está inserido em uma sociedade que dita regras de convívio e os significados político e cultural que ele representa. Um corpo não diz somente sobre um indivíduo, mas ele pode representar o que é o coletivo em que ele está inserido.

A autora Louise Foxcroft escreve: “Nosso corpo não apenas é inevitável, mas também o que a sociedade diz sobre ele, e o que consideramos “natural”, na verdade, é socialmente construído“.

Historiadores, filósofos e médicos da Antiguidade como, Galeno, Sócrates e, claro, Hipócrates ditaram regras alimentares e, até, comportamentos compensatórios como, por exemplo, a indução do vômito ou uso de laxantes para combater o corpo gordo já que comer tinha relação com a moral e, na falta dela (ser gordo significava ser inferior moralmente), a sociedade sofreria. Portanto, o preconceito contra corpos grande e gordos tem raízes antigas e se acentua na era cirstã onde a abstinência e o jejum são glorificados e atalhos para a salvação. O corpo magro passa a ser considerado divino e, o corpo gordo, pecaminoso. Continuar lendo