Roberta Stella | Nutrição sem dieta

Cultura da dieta

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É necessário falar sobre cultura da dieta para haver uma maior compreensão dos motivos que levam à decodificação ou interpretação de informações relacionadas à comida ou à maneira como nos alimentamos serem relacionados a aspectos morais da pessoa. Por que uma pessoa que se alimenta com restrições alimentares, comendo o que é julgado de certo ou saudável, é admirada, vista como uma pessoa de sucesso e exemplo a ser seguido? Ou, mesmo não sabendo sobre o hábito alimentar das pessoas, temos a imaginação de como elas se alimentam baseados somente na aparência física?

As interpretações morais da comida, representadas por alimento com ou ruim, estão relacionadas com o desenvolvimento de estereótipos e preconceitos do tamanho do corpo.

Os padrões que construímos na relação comida e moral tem como raiz diversos fatores como históricos, culturais, sociais e, até, econômicos. É comum, quando é abordada a cultura da dieta e, também, a cultura da beleza, responsabilizar as mídias (tv, rádio, revistas, propagandas, mídias sociais) pelos esteriótipos que são criados mas, elas são apenas uma aspecto – muito importante, por sinal – na interpretação do que vemos e vivenciamos em relação à comida. Entendo, claro, que ela tem forte poder no reforço das crenças, estereótipos e preconceitos na tríade comida x corpo x beleza.

Então, falar sobre cultura da dieta não é sobre emagrecimento, mas sobre como definimos as pessoas baseadas no que elas comem já que a comida é restringida apenas pelo seu aspecto nutricional que, por sinal, parece ser o que menos influencia na escolha alimentar sendo que as características sensoriais, a capacidade de unir pessoas, a memória afetiva despertada por eles, entre outros aspectos, têm grande influência nas escolhas alimentares.

Outra consequência da cultura da dieta é a valorização de alguns tipos de corpos em detrimento de outros. Se tomarmos a máxima “você é o que você come” como sendo verdade, somos capazes de enxergar qual corpo é saudável e qual não é. E, o cenário fica mais sombrio se pensarmos que já temos um mapa mental do que acreditamos ser saudável: em tempo em que é propagada a necessidade de “combate à obesidade” – ou será que se arma o combate às pessoas obesas? – já conseguimos perceber que nem todos os corpos despertam o mesmo sentimento e julgamento naquele que os vê.

Para quebrar os julgamentos (pensamentos, estereótipos, preconceitos) influenciados pela comida ou modo de se alimentar é fundamental questionar as interpretações feitas sobre determinada situação e, também, sobre as informações recebidas: quem emite determinada opinião tem quais interesses? Um comercial exaltando a beleza e a saúde atende a quais interesses? É isento? Quais são outras possíveis interpretações e que não são estimuladas? Por que isso acontece?

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