Roberta Stella | Nutrição comportamental, sem dieta e mais empática

A comida baiana de Jorge Amado

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Ir à Bahia nos leva a uma viagem muito além das praias e do centro histórico. Visitar Salvador é uma excelente oportunidade para conhecer a comida baiana, do acarajé e abará às diversas moquecas e ao pudim de tapioca.

No café da manhã, banana da terra cozida, mandioca e cuscuz de milho. Muito coco e leite de coco nas preparações. Um acarajé genuinamente baiano todos os dias para guardar o sabor na memória. E não é somente o bolinho de feijão frito no azeite de dendê. É o vatapá, o caruru, o tomate verde e o camarão seco, tudo bem temperado com uma boa pimenta. A boca ficou anestesiada, diferentemente das papilas gustativas e das glândulas salivares que deixavam a boca preparada para tantos sabores, texturas e cheiros (sim, o cheiro do dendê no ar já faz a gente salivar!).

No meio de tanta riqueza gastronômica, em uma tarde, fui conhecer a Casa do Rio Vermelho onde Jorge Amado e Zélia Gattai viveram por quase 40 anos. Alí, naquela rua Alagoinhas, número 33, esperava encontrar o cotidiano fascinante de um dos maiores nomes da literatura brasileira e baiana. Como diz o cartaz na entrada “se for da paz, pode entrar”. Entrei.

Casa do Rio Vermelho de Jorge Amado e Zélia Gattai

Casa simples, bem simples, mas de uma riqueza cultural infinita. Não há luxo no mobiliário, mas as histórias contadas de pessoas que passaram e se hospedaram nela me fizeram querer voltar no tempo. Salas, quartos, biblioteca. Quando cheguei nas cozinhas (sim, são duas cozinhas na casa de Amado e Gattai), eu quis registrar. Das poucas fotos que tirei, achei essencial registra-las porque elas representam não somente a cozinha trivial de um casal, mas a reunião de amigos e, também, o alimento dos personagens dos livros de Jorge Amado. Aliás, uma literatura permeada pelos sabores com personagens caracterizados pela comida e temperos baianos.

Por ser uma literatura tão rica em comida, a filha de Jorge Amado, Paloma Amado, escreveu o livro “A Comida Baiana de Jorge Amado”, além de “As Frutas de Jorge Amado”. Segundo Paloma, “aprende-se lendo Jorge Amado que comida não é feita somente para alimentar: ela dá prazer ao ser vista, saboreada, cheirada e, sobretudo, é possível sonhar com ela, pois não se sonha só imagem, sonha-se cheiro, gosto e fartura”.

Saí de lá com a certeza de que valeu o passeio e com a vontade de devorar os livros de Jorge Amado e a culinária de seus personagens contadas por Paloma Amado. Enquanto isso, deixo aqui registros desse canto da casa tão especial que compartilho com você. Se for à Bahia, coloque no roteiro a Casa do Rio Vermelho que, infelizmente, parece ainda ser um passeio “alternativo”para os turistas que visitam aquela cidade. Estique o passeio, desça até o Largo de Santana e se delicie com o famoso e delicioso acarajé da Dinha.

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Largo de Santana

O famoso acarajé da Dinha no Largo Santana.

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