Roberta Stella | Nutrição comportamental, sem dieta e mais empática

8 motivos que levam à falta de motivação durante o emagrecimento

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Como lidar com a desmotivação durante o processo de eliminação de peso

No início, há uma grande vontade de emagrecer e de fazer diferente em relação à alimentação, o que impulsiona atitudes que rapidamente trazem resultados. Conforme os dias passam, as semanas correm é comum aparecer a desmotivação. Parece que ela surge assim, de repente, como se não tivesse uma causa. Muitas pessoas, por acreditarem que estão fazendo “tudo certinho” tendo crenças que, claro, estão muito arraigadas, não conseguem identificar onde pode estar a causa do desânimo. Sabendo o que está levando à falta de motivação para continuar na jornada do emagrecimento é possível agir para mudar, buscando resgatar a motivação que está em baixa.

Primeiro, é necessário entender o quanto que emagrecer é importante para você. Pense em uma escala de zero a 10, sendo zero totalmente sem importância e, 10, extremamente importante. Se na sua escala, o emagrecimento tem baixa importância, evidentemente, que não estará preparado para o processo de construção de um novo hábito alimentar. Não há nada de errado nisso, mas esperar uma aderência ao processo de emagrecimento quando ele não é importante nesse momento, nada mais natural do que não ter motivação para chegar onde deseja. Assumir que não é o momento para emagrecer é importante para não alimentar a frustração. Agora, se emagrecer está com uma pontuação alta na escala de importância e, mesmo assim, se sente desmotivado, veja se um ou mais dos 8 motivos para a falta de motivação listados abaixo estão influenciando e saiba como mudar para resgatar a motivação para seguir em frente.

1. Alta expectativa em relação ao emagrecimento
Só em pensar que o momento de subir na balança está próximo, você já se sente angustiado e com medo do resultado. Afinal, estabeleceu o quanto queria emagrecer sem considerar mudanças na rotina e, também, os compromissos que impactam na forma que se alimenta. Facilmente, percebe que o desejo está distante da realidade e, assim, estabeleceu-se uma expectativa que não condiz com a vida real.
O que fazer? Há duas possibilidades: 1. se pesar-se é sinônimo de dor e desconforto, para quê subir na balança? Não se pese, deixe para o momento que se sente mais seguro, afinal, não é o seu peso que define quem você é ou resume o que é felicidade (veja o motivo 5); 2. no início de cada semana, analise os seus compromissos e estabeleça uma meta de emagrecimento possível para ela. Se algo sair do esperado, tudo bem, acontece com todos, não se fruste por causa disso.

2. Querer emagrecer rápido
É só começar a dieta que já tem em mente o quanto irá emagrecer por semana já que estipulou a data final para atingir o peso desejado. Certamente, o tempo é curto e, por isso, quer emagrecer 2 quilos por semana. Toda semana, uma após a outra, irá eliminar 2 quilos. Como se as nossas escolhas alimentares não sofressem impacto de outros fatores, unicamente o querer é responsável por emagrecer ou não. Vale lembrar que o querer ou o desejar fogem, muitas vezes da realidade (veja motivo 1). E aí, expectativas são criadas, restrições alimentares excessivas são auto-impostas e um grande sentimento de privação aparece. Natural ficar desmotivado.
O que fazer? Ter consciência de que o emagrecimento não ocorre linearmente. Há semanas que emagrecerá mais, outras, menos e, ainda, em outras, o ponteiro da balança não irá se mexer. Saiba: mesmo tomando as atitudes saudáves e adequadas que te levariam ao emagrecimento, o corpo pode não responder e não emagrecer. Acontece. É sempre bom saber disso para não achar que a culpa é sua. Não, não há culpados. É normal do nosso corpo afinal, ele é um organismo e não uma calculadora.

3. Não valorizar pequenos progressos conquistados durante a trajetória
Quando a única coisa que importa é emagrecer, facilmente, a motivação fica abalada. Isso porque, se a balança não apontar o ponteiro para baixo, é frustração na certa. Deixar toda a importância em emagrecer somente à cargo da resposta da balança, desvaloriza progressos importante que teve na alimentação: consumiu mais água nessa semana? Parabéns! Comeu mais fruta? Ótimo!! Se movimentou mais? Fantástico! Emagreceu 200 gramas (sim, isso é emagrecimento!)? Que bacana!! Provavelmente, você tem muitos motivos para se sentir orgulhoso e motivado, mas por só pensar no resultado da balança, você perde uma grande oportunidade de alimentar a sua motivação. Todos os progressos são importantes, não, unicamente, o resultado na balança.

4. Emagrecer para atender um padrão estético
Ser magro unicamente para entrar em um número de calça. Ser mais magro, unicamente, para atender uma beleza idealizada. A ideia de beleza sempre foi e sempre será irreal, não condizendo, na maioria das vezes, com as formas do nosso corpo. Emagrecer não significa ser possível moldar o corpo. Se o biotipo é de quadril largo, mesmo emagrecendo, proporcionalmente, o quadril continuará largo. O corpo não é massinha de modelar que é possível dar o formato que bem entendemos. Então, ao encontrar uma motivação mais forte para atingir o objetivo, mais motivado estará. Que tal, emagrecer para ter uma velhice mais ativa sem ser dependente de ninguém? Que tal, emagrecer para ter mais saúde e disposição? Emagrecer para incentivar bons hábitos para toda a família? Para poder ver os filhos e netos crescerem? Isso sim, faz a vida valer a pena!

5. Acreditar que o emagrecimento tornará uma pessoa mais feliz

Emagrecer para ser feliz! Muito comum quem quer reduzir de peso dizer isso. Mas, o que é ser feliz? Ser feliz está associado à aceitação, a elogios de outras pessoas ou, ainda, a ser notado e valorizado no trabalho? Será que o emagrecimento pode ser responsável por essa felicidade? Provavelmente, não. Por isso, é importante se valorizar, melhorar as relações pessoais, a maneira como reage a determinadas situações, a ter um repertório emocional maior para saber lidar com os acontecimentos do dia a dia para ter mais segurança e bem estar. O emagrecimento pode sim trazer uma autoaceitação maior, mas sozinho não irá resolver questões da área emocional. Vale lembrar, também, que, ao emagrecer, há a exposição a novas situações que podem não ser tão simples de vivenciar , por isso, cuidar do emocional é fundamental para ter ferramentas para enfrentar esse novo momento.

6. Seguir regras alimentares sem buscar o auto-conhecimento alimentar
Seguir regras alimentares de dietas ou de alguma pessoa que conseguiu emagrecer faz com que olhe para fora sem modificar pensamentos e crenças que você possui. Não incentivando essas mudanças e não respeitando os sinais da fome, da saciedade, da vontade de comer alimentos que dão prazer, perde-se o bem-estar e cria-se a culpa por comer alimentos que não estão dentro dessas regras. Sentimentos desagradáveis como culpa, sensação de incapacidade, crença de que falta foco e força de vontade minam a motivação. Por isso, é fundamental, entender como é a sua atitude e o seu comportamento alimentar para entender quais são as características da sua alimentação que devem ser trabalhadas e, em seguida, estipular pequenas metas possíveis e, principalmente, sustentáveis. Entenderá que os pequenos progressos são essenciais para manter a motivação (ver motivo 3).

7. Ter uma visão estereotipada do que é uma alimentação saudável e uma pessoa saudável
Atualmente, a ideia de alimentação saudável e de pessoa saudável está muito associada a um excesso de restrição alimentar como, por exemplo, exclusão de farinhas refinadas, de açúcar, de refrigerantes, entre outros; à inclusão de alimentos da moda (óleo de coco, alimentos fit, diet ou light) e, também, a um excesso de prática de atividade física. Vale ainda lembrar que há uma supervalorização do perfil nutricional dos alimentos como se somente os nutrientes fossem importantes de serem considerados na escolha alimentar.
Claro que a crença de que existem alimentos permitidos e proibidos, saudáveis e não saudável que precisam estar presentes ou serem excluídos da alimentação não considera aspectos econômicos (os classificados como saudáveis, normalmente, são mais caros), culturais e regionais (não incentivam o consumo de alimentos típicos da região onde reside) e, nem, as preferências alimentares trazendo a desmotivação rapidamente.

8. Acreditar que emagrecer é uma questão de foco e força de vontade
Seguir uma alimentação altamente restritiva e comparar os resultados e o corpo com de outras pessoas leva à uma grande privação e a seguir regras que não se aplicam a você. Ao quebrar as regras, surgem os sentimentos de culpa e de incapacidade, acreditando que o problema é a sua conduta faltando foco e força de vontade para colocar a restrição em prática (ver motivo 6). Esses sentimentos e sensações desagradáveis minam a motivação. O que precisa ser entendido é que o erro não é seu, mas, sim, das regras e restrições que não atendem as suas necessidades que trazem saúde corporal, saúde mental e emocional.

Se você está passando por um período de falta de motivação, avalie como está se comportando em relação à alimentação, quais são as suas crenças alimentares, como tem feito as suas escolhas alimentares. O auto-conhecimento é fundamental para tomar as melhores atitudes. Certamente, alguns do motivos mostrados aqui podem ajudar nessa análise e a encontrar uma nova maneira de ver o emagrecimento, trazendo mais motivação para atingir o seu objetivo de peso.

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